Como dimensionar um ambiente de virtualização para crescer sem rework

Ambientes virtualizados raramente falham no momento da implantação.
Na maioria dos casos, eles entram em colapso meses depois, quando começam a crescer sem que o projeto inicial tenha considerado expansão, picos de consumo e cenários reais de falha.

O quase nunca é a tecnologia, mas sim o modelo mental utilizado no dimensionamento.

Neste artigo veremos um método prático para dimensionar ambientes de virtualização com foco em:

  • Estabilidade operacional
  • Crescimento previsível
  • Facilidade de expansão
  • Redução de retrabalho (rework)

Sem fórmulas mágicas, baseado em princípios de arquitetura.


Por que ambientes virtualizados quebram

Os principais fatores que levam um ambiente a degradação é:

  • Projeto baseado apenas em capacidade bruta (TB e número de cores)
  • Ignorar latência de storage
  • Overcommit agressivo sem observabilidade
  • Ausência de margem para alta disponibilidade
  • Crescimento orgânico sem planejamento

Virtualização não morre por falta de hardware, virtualização morre por falta de arquitetura.


Definição do perfil de workload

Antes de falar em servidor, é obrigatório entender a carga.

Perguntas essenciais:

  • Quantas VMs?
  • Quantas VMs em 12,24 ou 60 meses?
  • Aplicações são CPU-bound, memory-bound ou IO-bound?
  • Há workloads sensíveis à latência?

Classificação simples:

  • CPU-bound → bancos de dados, aplicações com alto cálculo
  • Memory-bound → caches, aplicações Java, analytics
  • IO-bound → VDI, bancos de dados transacionais, file servers

Dois ambientes com o mesmo número de VMs podem exigir arquiteturas completamente diferentes.


Dimensionamento de CPU

Princípios:

  • vCPU não é core físico
  • Overcommit é aceitável, desde que controlado
  • Frequência de clock importa tanto quanto quantidade de núcleos

Boas práticas:

  • Overcommit conservador: 3:1
  • Reservar capacidade para falha de pelo menos um host
  • Monitorar CPU Ready

Se o ambiente é crítico, priorize mais hosts médios ao invés de poucos hosts gigantes.


Dimensionamento de memória

Memória é o recurso mais crítico da virtualização.

Princípios:

  • Evitar ballooning e swapping
  • Considerar consumo do hypervisor
  • Considerar cache de storage em memória

Boas práticas:

  • Margem livre mínima: 20% a 30%
  • Evitar overcommit agressivo
  • Padronizar tamanhos de VM quando possível

Gosto de pensar que cpu se gerencia e memória se respeita.


Storage: latência primeiro, capacidade depois

Usuários não percebem IOPS.
Usuários percebem latência.

Aspectos fundamentais:

  • Latência média
  • Latência em pico
  • Perfil de leitura vs escrita
  • Aleatório vs sequencial

Boas práticas:

  • Separar tiers (NVMe, SSD, NL-SAS)
  • Garantir cache adequado
  • Monitorar filas de IO

Rede dentro da virtualização

Rede subdimensionada mascara problemas de CPU e storage.

Boas práticas:

  • Redundância física
  • Separação lógica de tráfego
    • Gerência
    • Storage
    • Migração
    • Produção
  • Throughput compatível com storage

Evite arquiteturas onde todo tráfego passa por um único uplink.


Alta disponibilidade na prática

Pergunta que deve ser pensanda, se eu perder um host agora, tudo continua funcionando?

Boas práticas:

  • Capacidade reservada para falha
  • Testes periódicos de HA
  • Janela de manutenção considerada no projeto

Regra prática:

HA sem capacidade é apenas reinicialização elegante.


Planejamento de crescimento

Todo projeto deve nascer com:

  • Slots livres de expansão
  • Licenciamento previsto

Escalar não deve ser um projeto especial.
Deve ser rotina operacional.


Erros clássicos

  • Comprar servidor maior em vez de mais nós
  • Misturar workloads incompatíveis no mesmo cluster
  • Não medir consumo real
  • Ignorar latência
  • Não testar cenários de falha

Meu pensamento

Muitas organizações investem em servidores de marcas enterprise, como Dell ou Lenovo, contratam 5, 6 ou até 7 anos de garantia e acreditam que isso, por si só, garante longevidade ao ambiente.
Na prática, vemos exatamente o oposto: clusters que morrem com 2 ou 3 anos, não por falha de hardware, mas por mau dimensionamento.

O hardware sobrevive. A arquitetura não.

Um cluster começa a envelhecer no dia em que nasce, e esse envelhecimento é acelerado quando:

  • O dimensionamento de vCPU é feito sem critério
  • Processadores são escolhidos apenas pela quantidade de cores, ignorando clock base
  • Workloads single-threaded sofrem por falta de frequência
  • A segmentação lógica de rede é tratada como “opcional”

Dimensionar corretamente vCPU, priorizar CPUs com frequência base mais alta para cargas sensíveis a single-thread e desenhar uma segmentação lógica bem definida (gerência, storage, migração e produção) devem ser decisões tomadas antes da primeira VM ser criada.

É curioso observar que muitas empresas consideram o cluster de virtualização como o ativo mais crítico do negócio, mas não executam sequer o básico — como configurar alta disponibilidade para o vCenter Server.
Sim, o coração do ambiente sem HA.

Se você quer evitar que seu cluster envelheça antes do tempo, o ponto de partida não é o modelo do servidor.
É o desenho.

Me procure para trocar uma ideia e desenhar juntos o melhor cenário.

Ambiente virtualizado bem projetado não é o maior.
Não é o mais caro.
Não é o mais novo.

É aquele que cresce sem surpresa, opera estável e permite expansão sem redesenho.

Arquitetura vem antes do hardware.

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Evolução e Estratégia para VCF9: O que mudou e por que isso importa

Olá leitoires, muito se fale sobre versões, é importante destacar que não existe ESXi 9 — a nomenclatura mudou: a VMware passou a se referir à versão como vSphere 9, sem o “i”. Essa mudança de nome traz também ajustes na forma como os produtos são licenciados e implantados, especialmente para soluções de nuvem híbrida e infraestrutura moderna.

Principais diferenças estratégicas:

  • vSphere 9 é a base do VCF9:
    • O VMware Cloud Foundation 9 (VCF9) traz todo o ecossistema atualizado para gestão unificada de compute, storage e rede, com suporte nativo a vSAN, NSX-T e Tanzu.
    • Isso simplifica a operação, automatiza o ciclo de vida e permite adoção mais rápida de ambientes híbridos e multi-cloud.
  • Suporte a modernização de workloads:
    • Integração completa com Kubernetes via Tanzu, facilitando a execução de containers junto de máquinas virtuais em um mesmo stack.
    • Melhor performance para workloads críticos e aumento da eficiência de hardware.
  • Licenciamento e Foundation:
    • O vSphere 9, dentro do VCF9, é distribuído principalmente via vSphere Foundation, permitindo uma visão consolidada de todos os recursos e licenças.
    • Atualizações e upgrades passam a ser mais automáticas, reduzindo risco operacional.
  • Segurança e compliance:
    • Hardening nativo, criptografia avançada e integração com VMware Trust Authority, aumentando a segurança do ambiente de datacenter e cloud.

Estratégia recomendada:

Se você está avaliando migração ou expansão de ambientes, o VCF9 é o caminho estratégico. Ele não só traz o vSphere 9, mas também padroniza infraestrutura e operações, garantindo suporte a novas tecnologias e maior agilidade para projetos de nuvem híbrida ou modernização de data centers.

VMware Cloud Foundation 9.0 – O que vem incluso ?

O VCF 9.0 simplifica o licenciamento ao trazer um arquivo único de licença para toda a infraestrutura. Antes, cada componente exigia chaves separadas, como vCenter, ESXi e add-ons. Agora, com o VCF9, os principais recursos inclusos no arquivo de licença são:

  • VMware Cloud Foundation cores
  • vSAN (até 1 TiB por core)
  • Private AI Foundation
  • vSphere Foundation cores
  • VCF Edge cores

Serviços adicionais:

  • Add-on via licença no arquivo:
    • Private AI extra
    • vSAN adicional (acima do limite incluso)
  • Add-on via licença separada:
    • VMware vDefend Firewall
    • VMware Avi Load Balancer
    • VMware Tanzu Platform
    • VMware Data Services Manager
  • SaaS:
    • VMware Live Recovery
  • Bundles via licença separada:
    • VMware Telco Cloud Platform

Principais mudanças em relação às versões anteriores:

  • Não há mais chaves separadas por componente ou versão.
  • Licenciamento agora é agregado e escalável, permitindo distribuir a capacidade de licenças em múltiplos vCenters.
  • Avaliação estendida de 60 para 90 dias.
  • Licenciamento pode ser gerido nos modos Connected (automático) ou Disconnected (manual).

Olha, o VCF9 realmente soma. Ele traz várias melhorias legais, simplifica bastante a gestão e dá aquele up em compute, storage e rede. Agora, vamos ser sinceros: ele ainda não está pronto para absorver tudo do NSX e do VMware Cloud Director, principalmente quando falamos de ambientes multi-tenant de verdade. Por enquanto, ainda estamos no aguardo das melhorias que a Broadcom vai trazer para fechar essas lacunas e tornar a plataforma realmente completa para cenários complexos.

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Broadcom Impõe Mudanças no Licenciamento da VMware: O Que Esperar?

Se você trabalha com virtualização, essa notícia merece sua atenção! A Broadcom, atual proprietária da VMware, anunciou uma mudança significativa nas regras de licenciamento que vai impactar diretamente os clientes da plataforma. A distribuidora Arrow informou que, a partir de 10 de abril de 2025, o número mínimo de núcleos exigidos para licenciamento VMware saltará de 16 para 72. Além disso, a Broadcom aplicará penalidades financeiras para renovações fora do prazo.

O Impacto do Aumento de Núcleos no Licenciamento

Se antes um servidor com 8 núcleos precisava de uma licença para 16 núcleos, agora será necessário pagar por 72, independentemente do real consumo. Ou seja, muitos clientes estarão pagando por 64 núcleos que não utilizam. Isso representa um aumento expressivo nos custos para pequenas e médias empresas que utilizam VMware para virtualização de servidores.

Essa mudança deixa claro que a Broadcom está focando nos grandes clientes corporativos e reduzindo as opções para empresas menores. Desde que assumiu a VMware, a Broadcom vem consolidando produtos, reestruturando ofertas e reformulando preços para aumentar receita e lucro.

Multas Para Renovações Fora do Prazo

Além do aumento na exigência de núcleos, há outro ponto crítico: clientes que não renovarem suas licenças na data de vencimento pagarão uma multa de 20% sobre o valor cotado para o primeiro ano da assinatura renovada. Isso significa que qualquer atraso pode custar caro.

Com essas mudanças, empresas precisarão adotar um planejamento financeiro ainda mais estratégico para evitar surpresas desagradáveis no orçamento de TI.

A Melhor Estratégia: Buscar um Parceiro Broadcom

Com essas novas regras, o ideal é buscar um parceiro Broadcom autorizado para encontrar a melhor solução de licenciamento. Dependendo do porte da empresa e da complexidade do ambiente, optar pelo VMware vSphere Foundation (VVF) ou pelo VMware Cloud Foundation (VCF) pode fazer toda a diferença.

  • VMware vSphere Foundation (VVF): Indicado para empresas que precisam de uma solução confiável de virtualização, sem a complexidade do VCF.
  • VMware Cloud Foundation (VCF): Mais robusto, ideal para organizações que necessitam de um ambiente completo, integrado e seguro para computação, armazenamento e redes.

Um parceiro Broadcom pode ajudar a dimensionar corretamente sua necessidade, evitando gastos desnecessários e garantindo conformidade com as novas regras de licenciamento

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VMware Cloud Foundation (VCF) x VMware vSphere Foundation (VVF)

Olá pessoal, espero que todos estejam bem, hoje vamos tentar esclarecer um pouco das mudanças da Broadcom sobre a VMware.

Qual a diferença?

Na hora de planejar a infraestrutura de virtualização, muitas empresas se deparam com duas opções da VMware: o vSphere Foundation (VVF) e o Cloud Foundation (VCF). Mas quais são as diferenças entre eles e qual escolher para seu ambiente? Vamos direto ao ponto!

🔹 O que é o VMware vSphere Foundation (VVF)?

O VVF é a base da virtualização com VMware. Ele inclui o vSphere ESXi (hipervisor) e o vCenter Server, permitindo criar e gerenciar máquinas virtuais de forma centralizada.

✅ Focado em virtualização de servidores

✅ Ideal para ambientes menores que não precisam de recursos avançados

Gerenciamento básico, sem automação integrada

Menor custo, pois não inclui armazenamento e redes definidas por software (SDN e SDS)

Se a sua empresa precisa apenas de uma plataforma sólida de virtualização sem complexidade extra, o VVF pode ser suficiente.


🔹 O que é o VMware Cloud Foundation (VCF)?

Já o VCF é uma solução completa para infraestrutura hiperconvergente e nuvem híbrida. Ele não só inclui o vSphere, mas também:

  • vSAN (armazenamento definido por software)
  • NSX (rede definida por software)
  • Aria Suite (antigo vRealize, para automação e gerenciamento)
  • SDDC Manager (para administração e orquestração do ambiente)

✅ Permite nuvem privada e híbrida

✅ Infraestrutura completa e automatizada

✅ Gerenciamento centralizado e simplificado

Escalabilidade e segurança avançadas

Se sua empresa busca uma solução robusta para modernizar o data center e facilitar a automação, o VCF é a melhor escolha.


🔥 Principais Diferenças

CaracterísticaVMware vSphere Foundation (VVF)VMware Cloud Foundation (VCF)
EscopoVirtualização básicaInfraestrutura completa para nuvem híbrida
Componentes principaisvSphere e vCentervSphere, vSAN, NSX, Aria Suite
GerenciamentoManual ou com ferramentas externasAutomatizado com SDDC Manager
RedeNecessita soluções externasInclui NSX para SDN
ArmazenamentoSoluções tradicionais (SAN, NAS)Inclui vSAN para SDS
AutomaçãoLimitadaAvançada com Aria Suite
Casos de usoPequenas e médias empresasData centers modernos, nuvem híbrida e hiperconvergência
CustoMenorMaior, mas mais completo

Conclusão: Qual escolher?

  • Se sua necessidade é somente virtualização, o VVF resolve bem.
  • Se você precisa de um ambiente mais automatizado, integrado e escalável, vá de VCF.

A escolha certa depende da estratégia da sua empresa e do nível de complexidade que deseja administrar.

O VMware Cloud Foundation (VCF) é a melhor escolha para infraestrutura moderna, oferecendo suporte direto da VMware e recursos avançados como NSX (rede definida por software) e HCX (migração simplificada de workloads). Além disso, cada core licenciado já inclui 1TB de vSAN, garantindo armazenamento eficiente sem custos adicionais. Com automação integrada e gerenciamento centralizado, o VCF proporciona escalabilidade, segurança e alta performance para ambientes corporativos.

Até a proxima.

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Dell EMC Networking VEP1485 – Edge Computing

Olá pessoal, todos bem?

Consegui um Hardware da DELL para laboratório chamado VEP “Virtual Edge Platform” para rodar em meu HomeLab. E o resultado dos testes foi além do esperado. Gostaria de elencar abaixo alguns dos pontos que me fez adorar este Hardware, principalmente para fazer a função de Edge mas também como um excelente equipamento para ter em casa e executar laboratórios.

  • Baixo consumo de Energia (Monitorei a alimentação deste Hardware e o seu consumo é de 35 a 45W .
  • Tamanho reduzido, diferente de um servidor de Rack este Hardware tem o tamanho de um ThinClient.
  • Recurso de Hardaware bem interessante (16 Cores, 64GB RAM , 2 TB SSD, 6 Interfaces 1GB e 2 Interfaces 10GB SFP+)

Hoje em dia falamos muito da Jornada de migrar nossas aplicações para Nuvem, porém algumas aplicações ainda são sensíveis com questão de latência, podemos imaginar que boa parte das aplicações estejam rodando na Nuvem.

Vamos imaginar o seguinte cenário onde você precisa manter localmente serviços como um Controlador de Domínio ou algum servidor de aplicação que depende de latência baixa e com a adoção deste Hardware você pode deixar suas máquinas virtuais ou até mesmo containers rodando neste equipamento com uma réplica para Nuvem configurada.

Com a replica das máquinas deste equipamento para Nuvem no caso de um sinistro você até pode sofrer com latência, porém garante a continuidade da sua operação até realizar o FailBack.

O caso acima é um exemplo simples que pode ser implementando de várias formas, replicando com VMware fazendo uma nuvem estendida. Também é possível utilizar o VEEAM caso o Datacenter trabalhe com CloudConnect da VEEAM , você pode replicar essa máquina para dentro do seu tennant no VMware Cloud Director.

Abaixo gosto de mostrar um exemplo real e simples com VEEM , aonde o print é exatamente um ESXI rodando no VEP com várias maquinas virtuais como de VEEAM, PFsense, AD, DNS e WTS. Sendo muito parecido com senário de muitos clientes.

Foi criado no VEEAM uma réplica utilizando o CloudConnect e conforme a imagem abaixo minha VM de WTS já está replicada e aguardando ser iniciada na Cloud caso aconteça algum sinistro na borda. Isso é possível com o DR Planning  no Veeam.

Claro existe várias questões de remap de rede e roteamentos que precisam ser ajustadas para rodar na Nuvem, mas este não é o foco deste tópico.

Vamos Falar um puco sobre este equipamento?

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