Não é exagero dizer que o VMware Explore 2026, que começa nesta segunda-feira (31/08) em Las Vegas, chega num momento de virada para quem trabalha com infraestrutura, cloud e IA corporativa. E eu vou acompanhar tudo de perto, direto do Venetian Convention Center.
O motivo do hype não é só marketing de evento. Em maio deste ano, a Broadcom lançou o VMware Cloud Foundation 9.1, e os números que a empresa divulgou são do tipo que faz qualquer gestor de TI parar pra prestar atenção: até 40% de redução no custo de servidores, 39% menos custo total de armazenamento, 46% menos custo operacional de Kubernetes e upgrades de cluster até 4 vezes mais rápidos. Tudo isso mirando um problema específico: rodar cargas de IA em produção sem estourar orçamento nem abrir mão de segurança.
E aqui está o dado que muda a conversa: segundo o relatório Private Cloud Outlook 2026 da própria Broadcom, 56% das organizações já rodam ou planejam rodar inferência de IA em produção dentro de nuvem privada, uma categoria que nem existia na pesquisa do ano passado. O discurso de “tudo na nuvem pública” está sendo reescrito na prática, puxado por custo, soberania de dados e controle sobre modelos proprietários.
O que abre a semana
O keynote de segunda-feira, às 9h (horário de Vegas), já dá o tom: “Shaping the Future of Private AI Cloud and Agentic Innovation”, com Ram Velaga (Presidente do Infrastructure Software Group da Broadcom), Paul Turner (Chief Product Officer da divisão VMware Cloud Foundation) e um nome que chama atenção, Hemant Rijhumal, do Standard Chartered Bank, falando sobre como um banco global estrutura nuvem privada em escala real.
Os quatro temas que vão dominar a semana
Private AI Cloud e IA agêntica. O que eu considero um dos tópicos CORE do evento. A pergunta que todo mundo está fazendo: como colocar modelos de IA para rodar em produção, com segurança e sem depender 100% de hyperscaler.
A “crise de hardware de 2026”. GPU escasso, prazos de entrega esticados. Uma das sessões do evento é literalmente sobre como “sobreviver” a esse cenário otimizando o que já se tem de infraestrutura.
FinOps e Tokenomics. Com IA generativa e agentes consumindo tokens em escala, o controle de custo virou disciplina própria. Vai ter sessão dedicada a gestão de ROI e ao que estão chamando de “tokenomics” da era da IA.
Soberania de dados (Sovereign Cloud). Tema que ganhou força com regulação e geopolítica, e que vai aparecer em pelo menos uma sessão dedicada só a isso.
Além dos keynotes e das mais de 400 sessões técnicas, o evento tem Command Center Wall (monitoramento de implantações VCF em tempo real), hands-on labs e cinco certificações VCAP disponíveis para quem quiser sair de Vegas com currículo atualizado.
Nos próximos dias, vou publicar a cobertura dia a dia direto daqui, sessões, bastidores e o que realmente importa pra quem decide infraestrutura no Brasil. Acompanha comigo.
Fiquei um tempo parado por aqui. Não por falta de assunto, mas porque queria voltar com algo que realmente mexesse com a forma como a gente pensa infraestrutura hoje. E foi exatamente isso que aconteceu quando tive acesso a um Dell Pro Max GB10 e sentei junto de dois amigos pra acompanhar um teste de perto.
Deixa eu começar pelo problema, como sempre gosto de fazer.
O jogo virou: você não contrata mais infra, você aluga tokens
Durante quinze anos a conta era simples. Você queria capacidade? Comprava servidor, dimensionava CPU, memória, storage. A dor era CAPEX. Hoje, quando uma empresa quer colocar IA pra dentro, a pergunta mudou. Ninguém pergunta “quantos núcleos eu preciso”. A pergunta virou “quantos tokens por mês eu vou queimar?”.
E aqui mora a armadilha. Token é o novo aluguel. É bonito no começo, você não compra nada, sobe uma API, paga pelo uso. Mas todo mundo que já passou por isso sabe: o modelo de “pague pelo uso” é maravilhoso até o uso virar rotina. Aí a fatura da OpenAI, da Anthropic ou do provedor da vez começa a subir de forma silenciosa e mensal, igual assinatura de streaming que você esqueceu de cancelar, só que com três zeros a mais.
Gosto de pensar que a IA repetiu o mesmo ciclo da nuvem: primeiro todo mundo migra encantado com o “sem servidor pra gerenciar”, e uns anos depois começa o movimento de trazer carga de volta pra casa porque a conta não fechou. Token é OPEX puro. E OPEX que cresce sem teto é dívida técnica disfarçada de conveniência.
É nesse ponto que o GB10 entra na conversa.
O que é o Dell Pro Max GB10 (e por que ele não é “só mais um mini PC”)
Por baixo do chassi: o NVIDIA GB10 Grace Blackwell Superchip.
Esqueça a aparência. Este tijolinho preto de aparência despretensiosa é, na prática, um supercomputador de IA de mesa. Por baixo do chassi ele carrega o NVIDIA GB10 Grace Blackwell Superchip, e os números fazem você repensar o que “desktop” significa:
CPU Grace de 20 núcleos Arm (10 Cortex-X925 + 10 Cortex-A725)
GPU Blackwell com 6.144 núcleos CUDA
Até 1 PetaFLOP (1.000 TFLOPS) de desempenho em FP4
128 GB de memória unificada LPDDR5x CPU e GPU compartilhando o mesmo pool, sem cópia de dados de um lado pro outro
273 GB/s de banda de memória
SSD Gen5 de 4 TB
NIC ConnectX-7 com par de portas QSFP para 200 Gbit de rede
Vem com o NVIDIA DGX OS já pronto, drivers, CUDA e frameworks (PyTorch, TensorFlow) pré-configurados
Conectividade: 4x USB-C 20Gbps, HDMI, 10GbE e o par de portas QSFP de 200 Gbit.
Traduzindo o número que mais importa: 128 GB de memória unificada é o que muda tudo. Numa GPU de jogo tradicional, você esbarra nos 12, 16, 24 GB de VRAM e o modelo simplesmente não cabe. Aqui, CPU e GPU bebem da mesma fonte de 128 GB. É por isso que esse aparelhinho aguenta modelos de até 200 bilhões de parâmetros rodando localmente, se você juntar duas unidades pelas portas QSFP, chega a modelos ainda maiores.
O teste: Llama de 8 bilhões de parâmetros, sem tocar na nuvem
72 GB de memória em uso, GPU cravada em 96%: o hardware sendo realmente exigido.
Foi aqui que a ficha caiu de vez.
Eu não fui o piloto dessa vez, acompanhei dois amigos entusiastas colocando a mão na massa: um DevOps (Jardel) e um Tech Leader (Douglas). E confesso que aprender vendo gente boa operar às vezes rende mais do que fazer sozinho. Eles subiram um Llama de 8 bilhões de parâmetros local, sem depender de nenhuma API externa, e colocaram pra trabalhar.
O painel conta a história sozinho: 72 GB de memória em uso, GPU cravada em 96%. Ou seja, o hardware estava sendo realmente exigido, e ainda sobrava folga na memória pra crescer.
Pare pra pensar no que isso representa na prática:
Zero tokens gastos. Cada inferência que roda ali é uma inferência que não apareceu na fatura da nuvem.
Zero dado saindo de casa. Prompt, documento, informação de cliente, nada trafega pra fora. Pra quem lida com LGPD, jurídico ou saúde, isso sozinho já justifica o investimento.
Latência previsível. Sem depender de fila de API, sem rate limit, sem “modelo indisponível no momento”.
Um Llama de 8B como esse dá conta com sobra de RAG, sumarização, extração de dados, chatbot interno, classificação, apoio a código. É exatamente o feijão com arroz da IA corporativa, e é justamente essa carga repetitiva e de alto volume que mais dói na conta de tokens quando roda na nuvem.
A conta que ninguém faz: CAPEX de uma vez contra OPEX pra sempre
Um aparelho desses custa, arredondando, algo na casa dos US$ 4 mil, uma vez. Compare com o que uma equipe de desenvolvimento ou um produto interno queima em tokens de API rodando dia e noite. Em muitos cenários que já vi, o equipamento se paga em meses, não em anos. Dali pra frente, cada inferência é praticamente de graça, você já pagou pelo hardware.
É a mesma lógica de sempre, só que aplicada a um mundo novo: infraestrutura própria é um custo que você amortiza; token de nuvem é uma torneira que nunca fecha. Não estou dizendo pra abandonar a nuvem, estou dizendo pra parar de usar a Ferrari da API premium pra buscar pão na padaria. A carga de trabalho pesada, sensível e repetitiva desce pra casa. A nuvem fica pro que é de fato eventual, gigante ou de fronteira.
Isso é FinOps aplicado à IA. E FinOps, no fim das contas, é só arquitetura com a calculadora na mão.
E não, isso não é brinquedo de mesa: já tem gente rackeando em datacenter
Esse foi o ponto que mais me surpreendeu na pesquisa.
Muita gente olha pra esse formato de “mini PC” e pensa em uso de mesa, de desenvolvedor. Mas as empresas já entenderam a jogada e estão colocando esses aparelhos dentro do datacenter. Como? Em gavetas (trays) específicas de rack. Já existem kits homologados de rackmount que acomodam duas unidades GB10 em pouco mais de 1U de um rack padrão de 19”, com as portas roteadas pra frente e tudo organizado, e esses kits suportam explicitamente o Dell Pro Max com GB10, além dos equivalentes de Acer, ASUS, GIGABYTE e Lenovo que usam o mesmo superchip.
Ou seja: o que começa como “um teste na mesa de dois amigos” vira, sem drama nenhum, uma fileira de nós de inferência empilhados no rack, cada um servindo seus modelos locais, interligados pelas portas QSFP de 200 Gbit. É um jeito completamente novo de montar capacidade de IA, modular, denso, energeticamente eficiente (o conjunto todo vive de uma fonte USB-C de ~280W) e, principalmente, sem uma fatura de tokens crescendo no fim do mês.
O que eu levo desse teste
O GB10 não vai substituir a nuvem, e nem é essa a proposta. O que ele faz é te devolver uma escolha que a IA-como-serviço tinha tirado da mesa: decidir o que roda dentro de casa e o que vale a pena alugar.
E essa escolha é, no fundo, uma decisão de arquitetura, não de hardware. Quem trata IA só como “assinar uma API” vai descobrir, lá na frente, que terceirizou junto o controle do próprio custo. Quem senta, dimensiona e decide onde cada carga deve viver, continua no comando.
Porque no fim, seja em virtualização, em nuvem ou em IA, o princípio não muda:
A tecnologia mudou o vilão da conta. Mas quem manda na conta continua sendo a arquitetura.
Ficou curioso pra saber se faz sentido trazer inferência pra dentro da sua operação? Me procure — adoro discutir esse tipo de conta.
Ambientes virtualizados raramente falham no momento da implantação. Na maioria dos casos, eles entram em colapso meses depois, quando começam a crescer sem que o projeto inicial tenha considerado expansão, picos de consumo e cenários reais de falha.
O quase nunca é a tecnologia, mas sim o modelo mental utilizado no dimensionamento.
Neste artigo veremos um método prático para dimensionar ambientes de virtualização com foco em:
Estabilidade operacional
Crescimento previsível
Facilidade de expansão
Redução de retrabalho (rework)
Sem fórmulas mágicas, baseado em princípios de arquitetura.
Por que ambientes virtualizados quebram
Os principais fatores que levam um ambiente a degradação é:
Projeto baseado apenas em capacidade bruta (TB e número de cores)
Ignorar latência de storage
Overcommit agressivo sem observabilidade
Ausência de margem para alta disponibilidade
Crescimento orgânico sem planejamento
Virtualização não morre por falta de hardware, virtualização morre por falta de arquitetura.
Definição do perfil de workload
Antes de falar em servidor, é obrigatório entender a carga.
Perguntas essenciais:
Quantas VMs?
Quantas VMs em 12,24 ou 60 meses?
Aplicações são CPU-bound, memory-bound ou IO-bound?
Há workloads sensíveis à latência?
Classificação simples:
CPU-bound → bancos de dados, aplicações com alto cálculo
Memory-bound → caches, aplicações Java, analytics
IO-bound → VDI, bancos de dados transacionais, file servers
Dois ambientes com o mesmo número de VMs podem exigir arquiteturas completamente diferentes.
Dimensionamento de CPU
Princípios:
vCPU não é core físico
Overcommit é aceitável, desde que controlado
Frequência de clock importa tanto quanto quantidade de núcleos
Boas práticas:
Overcommit conservador: 3:1
Reservar capacidade para falha de pelo menos um host
Monitorar CPU Ready
Se o ambiente é crítico, priorize mais hosts médios ao invés de poucos hosts gigantes.
Dimensionamento de memória
Memória é o recurso mais crítico da virtualização.
Princípios:
Evitar ballooning e swapping
Considerar consumo do hypervisor
Considerar cache de storage em memória
Boas práticas:
Margem livre mínima: 20% a 30%
Evitar overcommit agressivo
Padronizar tamanhos de VM quando possível
Gosto de pensar que cpu se gerencia e memória se respeita.
Storage: latência primeiro, capacidade depois
Usuários não percebem IOPS. Usuários percebem latência.
Aspectos fundamentais:
Latência média
Latência em pico
Perfil de leitura vs escrita
Aleatório vs sequencial
Boas práticas:
Separar tiers (NVMe, SSD, NL-SAS)
Garantir cache adequado
Monitorar filas de IO
Rede dentro da virtualização
Rede subdimensionada mascara problemas de CPU e storage.
Boas práticas:
Redundância física
Separação lógica de tráfego
Gerência
Storage
Migração
Produção
Throughput compatível com storage
Evite arquiteturas onde todo tráfego passa por um único uplink.
Alta disponibilidade na prática
Pergunta que deve ser pensanda, se eu perder um host agora, tudo continua funcionando?
Boas práticas:
Capacidade reservada para falha
Testes periódicos de HA
Janela de manutenção considerada no projeto
Regra prática:
HA sem capacidade é apenas reinicialização elegante.
Planejamento de crescimento
Todo projeto deve nascer com:
Slots livres de expansão
Licenciamento previsto
Escalar não deve ser um projeto especial. Deve ser rotina operacional.
Erros clássicos
Comprar servidor maior em vez de mais nós
Misturar workloads incompatíveis no mesmo cluster
Não medir consumo real
Ignorar latência
Não testar cenários de falha
Meu pensamento
Muitas organizações investem em servidores de marcas enterprise, como Dell ou Lenovo, contratam 5, 6 ou até 7 anos de garantia e acreditam que isso, por si só, garante longevidade ao ambiente. Na prática, vemos exatamente o oposto: clusters que morrem com 2 ou 3 anos, não por falha de hardware, mas por mau dimensionamento.
O hardware sobrevive. A arquitetura não.
Um cluster começa a envelhecer no dia em que nasce, e esse envelhecimento é acelerado quando:
O dimensionamento de vCPU é feito sem critério
Processadores são escolhidos apenas pela quantidade de cores, ignorando clock base
Workloads single-threaded sofrem por falta de frequência
A segmentação lógica de rede é tratada como “opcional”
Dimensionar corretamente vCPU, priorizar CPUs com frequência base mais alta para cargas sensíveis a single-thread e desenhar uma segmentação lógica bem definida (gerência, storage, migração e produção) devem ser decisões tomadas antes da primeira VM ser criada.
É curioso observar que muitas empresas consideram o cluster de virtualização como o ativo mais crítico do negócio, mas não executam sequer o básico — como configurar alta disponibilidade para o vCenter Server. Sim, o coração do ambiente sem HA.
Se você quer evitar que seu cluster envelheça antes do tempo, o ponto de partida não é o modelo do servidor. É o desenho.
Me procure para trocar uma ideia e desenhar juntos o melhor cenário.
Ambiente virtualizado bem projetado não é o maior. Não é o mais caro. Não é o mais novo.
É aquele que cresce sem surpresa, opera estável e permite expansão sem redesenho.
O Rancher é uma plataforma de gerenciamento de containers em nível enterprise que centraliza a implantação, operação e governança de clusters Kubernetes. Ele fornece um plano de controle unificado para administrar ambientes Kubernetes on‑premises, edge e em nuvem, com forte ênfase em segurança, RBAC e gerenciamento do ciclo de vida.
Neste guia, você aprenderá a instalar o Rancher utilizando Docker no Rocky Linux 9 ou AlmaLinux 9, seguindo uma abordagem limpa e orientada a boas práticas, adequada para laboratórios, PoCs e ambientes de pequeno e médio porte.
Pré-requisitos
Antes de iniciar, garanta que os seguintes requisitos sejam atendidos:
Instalação limpa do Rocky Linux 9 ou AlmaLinux 9
Mínimo de 2 vCPUs e 4 GB de RAM (8 GB recomendados para produção)
Usuário com privilégios de sudo
Conectividade estável com a internet
Liberação das portas 80 e 443 no firewall
Este laboratório foi executado em um ambiente VMware vSphere Standalone, utilizando AlmaLinux 9 e o usuário root.
Etapa 1: Atualizar o Sistema Operacional
Inicie atualizando todos os pacotes do sistema para as versões mais recentes:
sudo dnf update -y
Após a conclusão da atualização, reinicie o sistema:
sudo reboot
Etapa 2: Instalar o Docker Engine
O Rancher utiliza o Docker como runtime de containers. Por padrão, o Rocky Linux 9 e o AlmaLinux 9 vêm com Podman, que deve ser removido para evitar conflitos.
Copie a senha exibida e utilize a opção Log in with Local User.
Em seguida, você deverá:
Definir uma nova senha de administrador
Aceitar o Contrato de Licença do Usuário Final (EULA)
Após concluir essas etapas, você será redirecionado para o dashboard do Rancher.
Validação Final
Com o Rancher operacional, você já pode:
Criar ou importar clusters Kubernetes
Aplicar políticas de segurança e RBAC
Gerenciar workloads, namespaces e projetos
Integrar monitoramento e logging
Conclusão
Você instalou com sucesso o Rancher no Rocky Linux 9 ou AlmaLinux 9. Essa implementação fornece uma base sólida para gerenciamento centralizado de Kubernetes, com governança e escalabilidade em nível corporativo.
O Rancher é um componente estratégico para organizações que adotam containers e Kubernetes em escala. Explore recursos avançados como multi‑cluster management, Fleet, automação e hardening de segurança para extrair o máximo valor da sua plataforma.
Para mais conteúdos sobre infraestrutura, cloud e datacenter, acompanhe o Techpoli.
O Cluster Pandora nasceu dentro da Unifique Cloud com um propósito ousado: garantir que a gestão e os serviços críticos do ambiente permaneçam operacionais mesmo diante de falhas severas de storage, rede ou virtualização.
Mais do que um cluster de gerenciamento, o Pandora é um núcleo autônomo e distribuído de controle e orquestração, construído para operar de forma independente e manter a Unifique Cloud sob controle — mesmo quando o resto do ambiente para.
O Desafio
Em uma infraestrutura moderna, quase tudo depende da camada de gerenciamento. Mas o time da Unifique Cloud percebeu um ponto cego:
“E se o próprio ambiente de controle cair junto com o restante da infraestrutura?”
A resposta foi criar um cluster isolado, resiliente e autossustentável, espalhado por locais físicos diferentes da infraestrutura principal, garantindo continuidade operacional e independência total. Assim nasceu o Projeto Pandora — o cluster que não dorme.
A Arquitetura
O Pandora foi projetado sobre processadores AMD EPYC, que entregam alta densidade de núcleos, performance térmica eficiente e confiabilidade sob carga constante. Seu armazenamento é 100% baseado em discos NVMe, garantindo latência ultrabaixa e throughput máximo, mesmo em cenários de operações simultâneas de backup, replicação e orquestração.
Cada host está conectado a todos os Top of Rack (ToR) do datacenter, com uplinks redundantes e um canal WAN exclusivo, permitindo acesso remoto e gestão plena mesmo em situações de isolamento da rede interna. Além disso, o cluster é geograficamente distribuído, aumentando ainda mais sua tolerância a falhas físicas e elétricas.
O armazenamento roda sobre VMware vSAN configurado em RAID1, assegurando espelhamento de dados entre hosts. E, indo além da replicação, os serviços foram intencionalmente distribuídos entre o vSAN e storages dedicadas — exemplo: quatro controladores de domínio (AD), sendo dois no vSAN e dois em storage independente. Mesmo em uma falha total de um dos sistemas de armazenamento, os serviços de autenticação e diretório seguem em operação.
Serviços Críticos Hospedados
O Pandora é o ponto de sustentação da Unifique Cloud, abrigando não só a camada de gerenciamento, mas também serviços de produção utilizados por clientes.
Dentro dele rodam:
vCenter, VMware Cloud e NSX Manager – o coração da virtualização e SDN.
Veeam Backup & Replication – Backup Server incluindo o serviço de Cloud Connect entregue aos clientes Unifique.
Active Directory e PAM – autenticação, segurança e controle de privilégios.
Kubernetes Cluster e Load Balancer – orquestração e entrega de microsserviços internos.
Soluções de monitoramento da Cloud – visibilidade completa da operação.
Portais e dashboards das nuvens – interface de gestão e provisionamento.
Sistemas de inventário, como o NextBox – controle de ativos e topologia.
Com esse desenho, o Pandora garante que, mesmo durante falhas severas em storages, leafs, spines ou clusters VMware, a gestão, o monitoramento e os serviços críticos continuem operando de forma independente.
O Pandora é um ambiente construído para não ser usado — como um seguro de carro: você espera nunca precisar, mas dorme tranquilo sabendo que está protegido.
Ele existe para garantir que, em um cenário de contingência total, a Unifique nunca fique no escuro. Mesmo que o ambiente principal sofra interrupções graves, o Pandora mantém viva a inteligência e o comando da operação.
Resiliência Total
O projeto foi desenhado para resistir a falhas múltiplas e simultâneas:
Falha de storage? Aplicações redundantes continuam disponíveis.
Perda de leaf ou spine? Conectividade mantida pelos ToRs ativos.
Clusters VMware fora do ar? O Pandora segue orquestrando o ambiente e coordenando a recuperação.
Os backups seguem a política 3-2-1, armazenados em storage dedicada e replicados para appliance S3 imutável, protegendo contra falhas físicas, humanas e lógicas.
Resultado
O Cluster Pandora consolidou-se como o núcleo de resiliência e governança distribuída da Unifique Cloud. Mais do que um projeto técnico, ele representa uma filosofia de engenharia:
Alta disponibilidade não é um recurso. É uma mentalidade.
E quando o inesperado acontece, o Pandora está lá — garantindo que a Unifique siga no comando.